A INCORPORAÇÃO NA UMBANDA:

_____FUCESP3

O grande medo de todo médium que inicia sua caminhada na Umbanda é o da incorporação consciente. Nove entre dez médiuns sentem-se
inseguros em suas primeiras incorporações.
É muito comum ouvirmos frases do tipo “Eu vejo tudo, não posso estar em transe”.

A culpa dessa dúvida que assola nossos terreiros é dos
próprios dirigentes que não esclarecem aos
iniciantes como é esse processo e dos irmãos
mais antigos que insistem em dizer que são
totalmente inconscientes, talvez para valorizar a
sua (deles) mediunidade ou com medo de serem
tachados de mistificadores.
Acalmem-se todos! Há muitos anos as
entidades deixaram de usar a inconsciência
como fator preponderante para o bom trabalho
exercido pelo médium. Muito pelo contrário, hoje
sabemos que noventa e cinco por cento dos
médiuns são conscientes ou semiconscientes. A
inconsciência completa é muito rara e
pouquíssimas vezes revelada, justamente para
não causar essa insegurança tão presente em
nossa religião.
Pensemos no exemplo da água misturada ao
açúcar. Quando adicionamos um ao outro
teremos um terceiro liquido inteiramente
modificado, mas com ambos os elementos nele.
Assim se processa a incorporação, a mente do
médium aliada à energia gerada pela entidade
que se aproxima , unem-se em perfeita
harmonia e conseguem, utilizando os
conhecimentos de ambos, um trabalho mais
compacto e correto. Não se acanhem em dizer
que são conscientes, pois a insistência dessa
postura pode levá-los a falhas que aí sim, darão
margens à suspeitas de mistificação.
Nos primeiros anos da Umbanda havia a
necessidade da inconsciência, os médiuns
tinham vergonha de entregar-se ao trabalho
sem reservas. Como deixar que um espírito se
arrastasse pelo chão falando como criança? Ou
ainda sentasse em um banco com um pito na
boca? Eram atitudes que assustariam o aparelho
e o levariam a afastar aquela entidade. Com a
evolução constante da lei, todos conhecem
perfeitamente as capas fluídicas que nossas
entidades usam e não existe mais a necessidade
delas esconderem de seus médiuns a forma com
que se apresentam.
O cuidado a se tomar nos terreiros cabe aos
dirigentes com informação e doutrina abundante
para que o velho fantasma da insegurança se
afaste de vez de nossas casas.


AXÉ