Animismo e Mistificação – 26/11/11

Animismo
Na esfera de atividades espíritas, animismo é a intervenção da própria personalidade do médium nas comunicações dos espíritos desencarnados, quando ele coloca nelas algo de si próprio, como se fossem mensagens transmitidas pelas entidades. Assim, quando algumas pessoas afirmam que determinada comunicação mediúnica foi puro “animismo”, estilo querendo explicar que a alma do médium ali interveio com exclusividade, tendo ele manifestado seus próprios conhecimentos e conceitos pessoais, embora depois os rotulasse com o nome de algum espírito desencarnado. Esta interferência anímica inconsciente (sem vontade do médium) por vezes é tão sutil, que o médium é incapaz de perceber quando seu pensamento intervém, ou quando, é o espírito comunicante que transmite as suas idéias pelo contato perispiritual.
No inicio do desenvolvimento, todo médium possui uma parte anímica, pois a entidade não está incorporada ainda. Ela apenas esta irradiando seus fluidos, para que a matéria do médium com ela acostume. Daí então, a parte anímica do médium entrar em ação, pois a proporção de atuação da entidade é muito pequena em relação ao seu mental. Só depois de algum tempo de trabalho assíduo na Seara Mediúnica, acompanhado de muito estudo, muito autocrítica, e afinidade, enfim a sensibilidade mediúnica, é que o médium consegue dominar e distinguir com êxito o fenômeno anímico e eliminá-lo de sua atividade mediúnica.

Como grande musico teve que iniciar seus estudos no solfejo do “do-re-mi”, e o escritor teve que aprender o “a-b-c”, certamente também o êxito mediúnico apóia-se inicialmente nos tropeços do animismo. Com o decorrer de seu desenvolvimento, o médium consciencioso, procura paralelamente educar-se, desenvolver-se moralmente, enfim, “afinar-se” com a espiritualidade. É através deste progresso espiritual, deste entrosamento entre médium e entidade, que a parte anímica acaba sendo superada, e a manifestação mediúnica torna-se interprete real do astral superior.
Não é aconselhável que se procure eliminar logo de inicio e deliberadamente o fenômeno anímico no intercambio com o Além, pois isso dificultaria ainda mais o desenvolvimento do mediúnico e as comunicações doutrinárias do próprio médium uma vez que seus Guias não tem por objetivo a criação de “autômatos mediúnicos”, espécie de robôs acionáveis à distancia. A mediunidade é um meio para se atingirem objetivo excelso por parte de encarnados e desencarnados e por isso não dispensa a educação, o afinamento moral, a cultura de seu próprio interprete e também o seu despertamento espiritual.
É mais importante para um bom Guia o progresso mental e moral, o desembaraço e a integração de seu médium, do que o êxito brilhante de sua comunicação. O médium, como uma criatura de responsabilidade pessoal para com a família e a sociedade, acima de tudo deverá aprender a caminhar pelos seus próprios pés, e procurar ser o mais útil possível ao seu próximo.
Na mediunidade consciente é muito comum observar-se a manifestação do animismo, pois durante a transmissão mediúnica, as idéias, os pensamentos, a índole e os conhecimentos do médium coincidem com o assunto que o Guia inspira. Ele a transmite com segurança, enche-se de entusiasmo e torna-se eloqüente, por que expõe aquilo que já lhe é familiar. Mas assim que entre o médium e o espírito se processam desajustes em matéria de conhecimentos, formam-se espaços na mensagens mediúnica, pois é um assunto novo para o médium, o que se torna inseguro e atrapalha a comunicação.
Ai entra a importância do estudo, do conhecimento, pois o médium sentindo-se seguro por ter conhecimento do assunto, deixará campo livre para a entidade se manifestar com maior liberdade o que quer transmitir. Também deve ser levado em conta o aperfeiçoamento moral do médium, que deverá vigiar-se para não interferir com seu mental na transmissão a ser feita. Para maior compreensão, vamos dar um exemplo: suponha-se que um espírito queira comunicar uma mesma coisa, através de quatro médiuns diferentes em temperamento, cultura, inteligência ou condicionamento psicológico, veremos que cada uma das comunicações apresentará uma característica pessoal diferentes entre si, e própria de cada médium que a transmite, embora continue prevalecendo o seu tema inicial. Vamos supor que a idéia proposta seja: “uma casa branca, situada a beira de uma estrada deserta e cercada por um jardim de muitas flores”, e que os médiuns de conhecimentos e culturas diferentes sejam: um engenheiro, um poeta, um filosofo e um simples sertanejo, incapaz de qualquer exposição cientifica ou literária em suas comunicações.
O médium ENGENHEIRO, acostumado com a precisão matemática de seus estudos, há de transmitir a mensagem em linguagem mais técnica e acadêmica, como “uma edificação decorada em branco, localizada à margem direita da estrada e ladeada por um jardim”. Já o POETA, a descreveria com toda a inspiração, transmitindo-a assim: “era uma vivenda lirial, enfeitando faceiramente a estrada tranqüila, sob a doce quietude da tarde serena, como se fosse uma pomba alegre pousada no seio de verdejante ninho atapeado de flores”. O FILOSOFO, por sua vez, graças ao seu treino especulativo, expressaria assim: “era uma residência pintada de branco, junto à estrada empoeirada, a semelhança de pensativa e solitária criatura meditando sobre o destino das coisas e dos seres, em torno, florido jardim, sob a orgia das cores, era dadivosa compensação aquele destino ignorado”. E o SERTANEJO se exprimiria da seguinte forma: “era uma casa caiada de branco, fincada na beira da estrada e rodeado de um jardim de flores”. Como se pode observar, cada médium expos a idéia inicial, sem a deturpar, mas vestindo-a conforme sua capacidade intelectual. Vemos então, que podemos dividir o animismo em dois tempos: o inicial do desenvolvimento mediúnico, que através de estudo e aperfeiçoamento pode e deve ser eliminado, e, o médium consciente, que transmite de acordo com seus conhecimentos, as idéias das entidades.
Só que neste ultimo, deve sempre prevalecer a consciência do médium em não interferir nas comunicações que lhe forem transmitidas. A primeira convicção de todo médium consciente, deve ser a de ser um médium consciente e consciencioso, pois para as entidades é muito mais importante a reabilitação espiritual de seu médium, que ele firme a sua conduta mora e espiritual, e se decida por um rumo proveitoso, do que ele se tornar um robô, um autômato que interpreta genialmente as revelações do espaço.
Pode acontecer também que um médium consciente, embora bem incorporado e cônscio de suas obrigações mediúnicas, sinta-se sozinho, sem a presença da entidade. O que acontece é o seguinte: todo médium tem o dever de estar em condições de poder atender o apelo do Alto, transformando-se num elemento mediúnico flexível, culto e desembaraçado, pronto a transferir aos encarnados,a mensagem com o melhor proveito espiritual. O médium sensato, estudioso e serviçal, compreende que não é suficiente submeter-se ao transe mediúnico nas noites programadas para bem cumprir sua missão mediúnica, pois mesmo estando fora do centro e sob o inteligente treinamento do seu Guia, ele pode captar e transmitir mensagens que favoreçam ao próximo transmitindo o conselho, a sugestão ou a orientação espiritual mais certa.
Daí então, o fato das entidades por vezes deixarem o médium “falando sozinho”, obrigando-o assim mobilizar urgentemente seus próprios recursos intelectuais e apurar o mecanismo da mente, a fim de não decepcionar os presentes. Sob a direção e o controle do Guia, o fluxo das idéias transmitidas é suspenso, obrigando o médium a demonstrar ate que ponto é capaz de expor a mensagem espiritual sem distorcê-la ou fragmentá-la. Essa ação imprevista, que obriga o médium a convocar todos seus valores intelectuais e morais para fazer a cobertura da “fuga” do pensamento da entidade comunicante, é um treinamento que obriga o médium a rapidíssima aceleração mental para não cometer erros.
Embora este recurso utilizado pelas entidades constranja e atemorize o médium no inicio, aos poucos ele vai se acostumando e adquirindo treino necessário para ser um elemento útil e capaz de atender a qualquer momento, as necessidades de orientação e serviço ao próximo.
Certas comunicações podem também serem truncadas pelos orientadores do médium, a fim de se comprovar o seu grau de segurança e saber como ele se comportaria no caso de interferências e mistificadores, que por vezes se infiltram entre médiuns invigilantes, como se fossem mentores espirituais. O médium precisa então socorrer-se de seus próprios recursos, morais, espirituais e intelectuais, para sair-se bem deste “teste” que as entidades fazem, onde ele deverá comprovar o que assimilou, ate aquele momento, os ensinamentos das leituras doutrinárias, qual o índice de julgamento próprio que já conseguiu, e qual a sua capacidade de bem orientar o próximo.
Podemos observar então, que o animismo inicial do desenvolvimento deve ser eliminado, pois se não for, torna-se prejudicial ao médium, mas sua evolução anímica no decorrer da estruturação da sua mediunidade é algo pelo qual ele deve lutar bastante. Não se deve, portanto, confundir animismo com evolução anímica.

MISTIFICAÇÃO
Todo bom médium, que quer progredir e se aperfeiçoar no exercício mediúnico, tem que aprender taqmbem, paralelamente com o estudo e o desenvolvimento, a observar e sentir as vibrações dos trabalhos.
Como Jesus nos orientou: “Orai e Vigiai”. Esta vigilância, esta observação constante, vai dar ao médium condições de conhecer cada entidade, desde a maneira que ela incorpora, ate a sua maneira de andar e trabalhar, mesmo não sendo médium vidente. Ele precisa aprender a sentir a vibração das entidades, para poder diferenciar os bons e maus fluidos. Sabemos que isso não é algo que se consegue de imediato a partir do instante que se inicia o desenvolvimento, mas algo que se consegue aperfeiçoando e aprimorando a mediunidade.
O médium invigilante é alvo fácil de entidades zombeteiras e mistificadoras. Elas vêm apresentando-se como esta ou aquela entidade, de grande luz, mas na verdade esta apenas se aproveitando da ingenuidade e ignorância dos médiuns.
Elas te podem de começo dar boas e corretas orientações, fazer este ou aquele beneficio, pois tem capacidade para isto. No entanto, depois que adquiriu a confiança dos médiuns, ela passa a dominar, a exigir e a orientar erroneamente os que estão presentes. Visto sob este ponto de vista, pode parecer muito difícil e arriscado ser médium, pois aparentemente não temos como conhecer e nos defender de uma entidade mistificadora.
Mais isso não é real, pois Deus não nos deixaria assim a mercê destas entidades. Como já dissemos então, aprender a sentir cada entidade durante os trabalhos, é fundamental para todos nós. Mas a nossa maior segurança, são os pontos firmados no Congá, principalmente o chefe da casa. Se desconfiarmos de que alguma entidade está mistificando e quisermos uma confirmação, basta pedir-lhe que bata a cabeça no ponto do chefe da casa.
Se ela bater e nada acontecer, é porque realmente ali esta uma entidade trabalhadora da Seara do Mestre e nenhuma delas irá se sentir magoada ou ofendida pela desconfiança do médium. Ao contrario, ficará contente por perceber sua atenção e interesse nos trabalhos. Entidades de luz não se prendem em sentimentos inferiores.
Mas se ali estiver um mistificador, ele pode tomar duas atitudes: ou ele se nega a bater a cabeça, ou então vai bater, querendo desafiar a entidade chefe da casa, mas fica preso no ponto, no momento que ali encostar a cabeça.
Muitas também tentam enganar aos médiuns, batendo a cabeça no chão, na beiradinha do ponto, mas ai também entra a parte de vigilância dos médiuns.
Mas este sistema não tem validade para a casa seguir, pois pode também acontecer que o mistificador seja o médium, preocupado apenas em conseguir proveito próprio. Ai então, poderíamos classificar esta mistificação de charlatanismo, pois nem ao menos estaria havendo o exercício mediúnico. Tudo não passaria de resultado de arranjos, habilidade de representações, truques, etc, da pessoa que se faz passar por médium.
Vale então salientar a diferença entre comunicação anímica e charlatanismo. A primeira é a falsa suposição intima de o médium julgar-se tomado por espíritos, mas a segunda é o fruto de má intenção em enganar os outros para benefícios ou glorias próprias.