Doutrinação – 03/12/11

Todos os dias somos chamados pela vida para servir de esclarecedores de alguém, quer no circulo familiar, quer no meio de nossas relações sociais e profissionais. E não regateamos conselhos.
Quando nos aproximamos dos círculos de trabalhos e estudos do espiritismo, esses mesmos exercícios a que nós confiávamos alcançam novas dimensões. Somos então, impelidos a esclarecer não apenas a encarnados, mas desencarnados também.
Mas o que antes fazíamos despreocupados, partindo do principio que deveríamos aconselhar amigos, sem considerar seu grau evolutivo e seus compromissos com a espiritualidade, já agora nos obriga ao aprendizado. Descobrimos que não basta apenas aconselhar, mas que precisamos aconselhar bem. E bem aconselhar será, em todas as circunstâncias, examinar os que nos rogam orientação para atendê-los dentro de seu plano de compreensão. O homem do alem, sem esclarecimento, continua sendo homem.
É normal, portanto, que ele nem perceba que passo pela transformação orgânica da desencarnação, pois ainda registra todas as sensações habituais de quando encarnado, e este “sentir-se vivo” é inteiramente diverso do que ele imaginava alem tumulo.

Muitos companheiros afastam-se da responsabilidade da doutrinação alegando incapacidade ou falta de condições morais suficientes para manejar o verbo divino no socorro, através da mediunidade.
É valido porem, repetirmos que a terra não é albergue de anjos, e que os espíritos puros nem sempre conseguem fazer-se ouvidos pelos infelizes que vagueiam pelas telas umbralinas e que não suportariam a perfeição. É a lei que o próximo socorra o seu próximo.
E somos nós, pelas nossas vibrações, e pelas nossas deficiências, que temos condições para servir de ponte para os que precisam transpor os abismos da inferioridade espiritual.
Nossos conselhos devem ser objetivos e claros, acompanhados de evangelização. O próprio serviço nos aprimorará. Nossa fé se firmará pouco a pouco. Nossas duvidas desaparecerão ante o serviço e perderemos os maus hábitos ao calor do trabalho.
O espírito menos esclarecido, após o desencarne, sente-se um estranho em terra estranha. Tem por isso, a necessidade de orientação segura, a fim de nortear-se e estabelecer contatos sadios e construtivos.
Poderá estar por vezes repleto de boas intenções e desejosos de paz, sem, contudo distinguir o que mais lhe convém. Precisa então, de transmissões pacientes, de informações curtas exatas, que devem ser ajustadas ao amadurecimento moral e intelectual de cada um.
Mas nem todos são desorientados. Há espíritos cristalizados no mal, que descrêem da bondade, pois já foram vitimas da artimanha dos poderosos na Terra e no espaço. Estas não precisam tanto de orientação, como de evangelização, para que o amor consiga dissolver a crosta de ódio em que se fecharam.
É necessário devolver-lhes a fé no amor e na fraternidade e ensinar-lhe o valor do perdão e do esquecimento.
Por isso, é necessário distinguir bem a diferença entre doutrinação e evangelização. Saber ouvir será tão importante quanto falar. Saber calar será tão urgente quanto responder. Saber pacificar será tão importante quanto reagir. Saber compreender será tão importante quanto ser compreendido. A paciência é o ponto alto da doutrinação.
Um doutrinador, ao iniciar seu serviço, primeiro saúda a entidade presente, colocando-a à vontade entre amigos. A seguir, dá um tempo para que a entidade se manifeste, e a partir das necessidades dela, comece a sua doutrinação, esclarecendo-a e orientando-a no caminho a seguir.
Caso a entidade não diga nada, deverá então, dosando aos poucos os esclarecimentos necessários como: consciência de estar desencarnado, imortalidade da alma, razão de estar ali presente, orientando-a de como é a espiritualidade superior, e finalmente o convite para que ela siga as entidades de luz que ali estão presentes e que virão encaminhá-la para o socorro e orientações necessárias.
Mas um ponto que nunca se deve esquecer é que cada espírito sofredor a ser doutrinado é diferente de todos os outros. O doutrinador não deve nunca padronizar a doutrinação, pois cada caso é um caso, com suas necessidades de apoio e orientação diferente das demais.
Por isso é necessário ao doutrinador estudar e conhecer o evangelho, para no momento exato, ter a palavra certa para aquela necessidade. Acontece também, que nem todos os sofredores trazidos para a doutrinação são desorientados, como já dissemos. Há os que sabem que estão fazendo e se comprazem com isto, devendo então o doutrinador tentar fazê-lo entender a inutilidade de sua atitude, conscientizá-lo de que a vingança é mais amarga do que doce, pois preso nas vibrações inferiores do sofrimento passado, ele só estará prolongando a sua agonia e sofrimento. Deve-se orientá-lo para o perdão e o esquecimento dos problemas passado, para seguir em frente na escalada de sua evolução espiritual.
O doutrinador deve estar atento também para a presença de espíritos zombeteiros e mistificadores, que se apresentam como entidades desorientadas e no fundo estão se divertindo com o esforço do doutrinador em orientá-los. Deve portanto, o médium que se propõe a ser doutrinador, desenvolver uma sensibilidade capaz de captar esta msitificação. Deve estar atento a cada palavra que a entidade disser, não só pra melhor orientá-la, como também para captar eventuais deslizes ou contradições, que irá alertá-lo contra uma mistificação.
Há por fim, aquelas entidades que se recusam totalmente a aceitar uma doutrinação. Não deve porém, o doutrinador provocá-lo ou tentar obrigá-la a aceitar o que lhe está sendo dito. O tempo é o remédio para tudo e um dia virá em que o clarão da verdade se fará presente para ela também.
Um doutrinador não pode disser nunca a uma entidade: “você não pode ficar com este irmão”, ou então, “você não tem o direito de fazer isso”. O doutrinador tem que ser humilde, mas firme. O fato dele querer impor algo a m sofredor, pode soar como um desafio aquela entidade e isto não pode ocorrer, pois não sabemos quem esta incorporado naquele médium e poderemos estar desafiando uma entidade de grande conhecimento, de grande força, só que voltada para o mal, e então as conseqüências serão imprevisíveis.