Missão do Médium


Você que tem mediunidade e trabalha com ela, já deve ter pensado por que foi escolhido, ou por que tem esse dom e, provavelmente, ao longo do seu caminhar também deve ter pensado no porquê de ter sido escolhido. Mesmo aquelas pessoas que já ouviram em algum momento que tem que desenvolver a mediunidade, com certeza, ficaram pensando em como e porquê fazer isso.

Aliás, sei que muita gente “desenvolve” a mediunidade por medo do que pode dar errado, caso não o faça, e não por vontade própria ou de forma espontânea.

Os mentores sempre brincaram dizendo que quase ninguém vem para o caminho espiritual, que as pessoas despencam, esbarram-se ladeira abaixo quando estão sofrendo. E que alguns encontram nesse caminhar um sentido da vida.

Mas, então, qual a missão do médium? Pergunto o que você sente a esse respeito, porque por mais que já tenhamos ouvido alguma coisa que consideramos importante, temos que ouvir a voz interna, respeitar aquilo que sentimos, pois mediunidade começa dentro de nós, no coração, no sentimento e nas sensações. Não é algo externo. Afinal, nós somos os médiuns, os sensitivos, somos aqueles que por um motivo conhecido ou desconhecido temos o dom de uma percepção mais aguçada do mundo à nossa volta, e também do mundo interior.

Ao longo desta vida, porque no meu caso nasci médium, percebo que o primeiro passo dessa missão é o autoconhecimento. Um médium antes de querer exercer seu dom, lapidar seu talento, ajudar as pessoas, precisa se conhecer e vencer seus próprios tormentos, porque os primeiros passos dessa trilha costumam ser feitos quase no escuro.

Já pensei se seria um teste, mas cheguei à conclusão que se trata de um empurrão. Porque quem em sã consciência com tudo dando certo, com relações afetivas e familiares amorosas e tranquilas, com dinheiro, um bom trabalho e felicidade procuraria uma compreensão maior da vida e dos desígnios divinos?

Sinceramente, acho que pouca gente sequer olha para o lado espiritual quando as coisas estão bem. Então, se as coisas estão mal, além de olhar, pedir ajuda, ou de querer, de repente, ser médium e salvar o mundo, vamos precisar ser humildes e nos salvar. Mudar comportamentos, vencer o karma familiar, que normalmente é pesado e cheio de rebarbas complicadas. A vida é assim…

As pessoas não são perfeitas e nós não somos perfeitos.

Acredito numa mediunidade ativa, no sensitivo, no médium que estuda, que aprende, mas não apenas nos livros, nem apenas com os espíritos que recebe, nem nas mensagens que canaliza. Precisamos aprender com a vida, com aquilo que conseguimos fazer de bom e também com aquilo que dá errado.

O médium é como diz a palavra: um mediador, alguém que transita entre o mundo material e o mundo espiritual. Mas vale perguntar: que parte do mundo espiritual esse médium frequenta?

Porque não existe apenas um mundo. Existem vários mundos e o que define por onde você anda ou, no caso, é levado, é a sua conduta. Honestidade no mundo dos homens é fundamental para garantir o acesso aos portais superiores do espírito. Assim, não basta ver espíritos e se comunicar com o além. Precisamos conectar bons espíritos e, para isso, é necessário aprimorar nossa natureza, pois ainda que tenhamos nascido com lindos dons e talentos, se não lapidarmos o caráter, esses presentes se perdem numa nuvem de poeira.

Penso que não apenas a missão do médium, mas a de todos nós, é antes de querer salvar o mundo, cuidar de si mesmo, do seu aprimoramento, de cultivar a sua luz e o entendimento, amor e perdão para enfrentar as lições que o karma nos trouxe.

POR MARIA SILVIA ORLOVAS