Pontos Cantados de Preto Velho

Eu andava perambulando sem ter nada pra comer
Fui pedir às santas almas para vir me socorrer
As almas dá, meus irmãos, as almas dá
As almas dá pra quem sabe aproveitar
Foi as almas quem me ajudou, foi as almas quem me ajudou
Viva Deus, Nossa Senhora, e o divino salvador

 

No terreiro em Santa Cruz tem nego duro de acordar (bis)
Firma a cabeça, filharada, que preto velho quer trabalhar (bis)

 

Quando o galo canta, clareia o dia (bis)
As almas pedem uma Ave Maria (bis)
Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco
Bendita a sois vós entre as mulheres
Bendito é o fruto do Vosso ventre, salve Jesus

 

Pai Joaquim, cadê Pai Mané? Pai Mané foi na mata pra apanhar guiné (bis)
Diga a ele quando vier, oi que suba as escadas e não bata o pé (bis)

 

Minha cachimba tem mironga, oi minha cachimba tem dendê (bis)
Quem duvida da minha cachimba, oi que venha ver, que venha ver (bis)

 

Vovó não quer casca de coco no terreiro (bis)
Porque faz alembrar dos tempos do cativeiro (bis)

 

É o vento que balança as folhas, Guiné, é o vento que balança as folhas (bis)
É é é é Pai Guiné, é o vento que balança as folhas (bis)

 

Pai Joaquim tinha sete filhos, todos os sete queriam comer (bis)
A panela era pequenininha, olha o bate e rebate que eu quero ver

 

Quando Maria Conga trabalha, abaixa no terreiro (bis)
Todos os filhos ficam de ronda, quebra macumbeiro (bis)

 

Mas olha a saia da vovó, é de um babado só (bis)
A vovó tem sete netos, todos os sete quer comer
A panela tá vazia, oi Pai Ogum quem vai encher

 

Cambina mamãe ê, Cambina  mamãe à (bis)
Oi sacode essa saia que eu quero ver
Filhos de Umbanda não tem querer

 

Preto velho nunca foi à cidade, oi sinhá, fala na língua de Zambi oi sinhá (bis)
Ê lê lê oi sinhá, fala na língua de Zambi oi sinhá (bis)

 

Oi lê lê meu Deus do céu, que alegria
Pois preto velho não carrega soberbias
Meu Deus do céu, isso aqui eu preferia, a estrela d’alva no ponto do meio dia
Eu vou plantar neste quintal pé de pinheiro
Para mostrar como se quebra macumbeiro (bis)
Oi lê lê meu Deus do céu, que alegria
Pois preto velho não carrega soberbias
Meu Deus do céu, isso aqui eu preferia, a estrela d’alva no ponto do meio dia
Lá no Senado falta voto pra campanha
Nesse terreiro, galo velho não apanha (bis)

 

Navio negreiro no fundo do mar (bis)
Correntes pesadas na areia arrastar (bis)
A negra escrava se deu a chorar (bis)
Oi saravá minha mãe Iemanjá (bis)

 

Foi no tempo do cativeiro quando o senhor me batia
Eu rezava pra Nossa Senhora, ai meu Deus, como a chibata doía
Trabalhava no engenho, no açúcar no canavial
Eu era chicoteado debaixo de sol a sol
Quando eu cheguei na Bahia, a Umbanda me libertou
Até hoje eu me lembro da chibata do meu senhor
Trabalha negro, negro trabalha, trabalho negro pra não apanhar