Pretos Velhos – Adorei as almas!!!!


Preto-velho, no ritual de Umbanda Sagrada, é um grau manifestador de um Mistério Divino. Nem todo Preto-Velho é preto ou velho. A forma como os Pretos-Velhos incorporam, curvados, expressa a qualidade telúrica de Pai Obaluaiê. O peso que parecem carregar não é fruto do cansaço, da idade avançada ou velhice, mas é a ação da qualidade estabilizadora, terra, desse orixá.

Essas entidades manifestam-se sob a aparência de negros escravos, trazendo-nos o exemplo de humildade e simplicidade da alma. São espíritos elevadíssimos, com vasto campo de atuação, encontrados nas Sete Linhas de Umbanda, pois trabalham a Evolução nos sete sentidos da vida dos seres.

Trazem sempre palavras de Fé, de esperança, de consolo e de perseverança, com sua sabedoria, paciência, paz e serenidade.
São espíritos de velhos africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos e que trabalham na Umbanda como símbolos da fé e da humildade. Seus trabalhos são de ajuda aqueles que estão em dificuldade material ou emocional, sendo que, o seu trabalho se desenvolve mais para o lado emocional e físico, das pessoas que os procuram, sendo chamados, carinhosamente de psicólogos dos aflitos.

Sua paciência em escutar os problemas e aflições dos consulentes, fazem deles as entidades mais procuradas na Umbanda, são chamados de Vovôs e Vovós da Umbanda.

Também usam ervas em seus trabalhos de magia e principalmente para rezar pessoas doentes e crianças que estão com mal olhado, suas rezas são conhecidas como poderosas, usam também de patuás, saquinhos que são depositados elementos de magia e que os consulentes usam no corpo para proteção.

Da mesma forma que os Caboclos, os Pretos Velhos usam cachimbos para limpeza espiritual, jogando sua fumaça sobre a pessoa que esta recebendo o passe

Preto Velho vem… vem de Aruanda… firma seu ponto com arruda e guiné… Em seu terreiro ele não pede o seu nome… em seu Congá ele não perde a sua Fé…
Saravá aos Pretos e Pretas Velhas … Salve Vovós e Vovôs.

Atrelado à comemoração da libertação dos escravos no Brasil, no mês de Maio a maioria dos terreiros de Umbanda saúda essa amada linha de trabalho que tanta Luz derrama em nossas vidas.

Ao vê-los arqueados em suas manifestações, sempre simples e humildes mas não por isso servientes, não vemos a grandiosidade de seu campo de atuação: que é vastíssimo enquanto Manifestação Divina. Formada por falanges inteiras de espíritos que de alguma forma estão ligados à Evolução pelos Sentidos, trazem em sua força de trabalho a palavra amiga, o consolo, a tranqüilidade característica dos que trabalham pela evolução da humanidade.

Chamada de Linha das Almas por muitos, não deixa de ser verdade. Vemos muitos Vovôs e Vovós que respondem por nomes simbólicos de suas falanges ligadas ao Cruzeiro, por exemplo: Vovó Joana do Cruzeiro… Cruzeiro é um mistério ligado ao Trono da Evolução, Pai Obaluaiyê. Mas também ligado pelo símbolo da cruz ao Trono da Fé, Pai Oxalá… mas isso não impede que haja manifestação de entidades ligadas a outras irradiações. Há ainda dentro da Umbanda a resistência de alguns médiuns quando são intuídos pelos seus guias, quanto a seus nomes simbólicos de trabalho, senão com certeza teríamos muitos “Pai João da Terra”, ou “Pai Joaquim das Águas e porque não Vovó Catarina do Fogo Divino…”.

Identificam-se pela sua origem africana como do Congo, de Angola, de Guiné, que dizem respeito a sua linha de trabalho e campo de atuação. Marcada pela presença do Negro na Umbanda, de forma nenhuma a religião poderia deixar de homenagear suas origens afro e também a raça que permitiu que muitos espíritos semeadores da nova religião pudessem encarnar no Brasil sem chamar muita atenção.

A primeira manifestação relatada da Linha dos Pretos Velhos, é descrita na história de Pai Zélio de Moraes : no dia em que houve a manifestação do Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, na casa que em seguida seria batizada de Nossa Sra. da Piedade, nesse mesmo dia houve a manifestação de Pai Antônio. O espírito do ex-escravo ali incorporado parecia sentir-se nada à vontade. Curvado, alquebrado, evitou ficar na mesa.
…“-Nêgo num senta não, sinhô … Nêgo fica aqui mermo… Isso é coisa de sinhô branco, i nêgo deve arrespeitá. Nêgo fica aqui nu toco, qui é o lugá di nêgo”

Estava firmada ali, a presença do Preto Velho na Umbanda. E esse trejeito humilde, simples, honesto, sem pedir nada em troca, sempre em nome do Pai Criador, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, essa naturalidade cativa dia a dia os filhos de Umbanda e todos aqueles que procuram ajuda nos templos. E se em suas manifestações trazem plasmadas as formas de suas existências como escravos, saibam que essas falanges acolhem muitos e muitos espíritos afins com suas vibrações de Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Sabedoria e Vida, que não necessariamente foram escravos em suas existências anteriores.

A naturalidade de um Preto Velho é indescritível. É algo que sentimos, e se de coração aberto estivermos para absorve-la como benção, então durará muito em nosso íntimo. Ao ver um Preto Velho em terra, pitando seu cachimbo, sentado em seu banquinho, não tenha vergonha, ajoelhe-se e peça sua benção. Com certeza ele está ali, em seu banquinho, baixinho perto do chão, para que segurando em nossas mãos clamem ao criador bênçãos de Paz, Saúde, Harmonia, Prosperidade e Fé, muita Fé!

Saravá Senhores e Senhoras das Correntes de Pretos Velhos…
Axé…
Salve as Almas …
Vossa Benção.

OFERENDA

Toalha ou pano branco
Velas brancas
Fitas brancas
Linhas brancas
Pembas brancas
Frutas (de todas as espécies)
Bebidas (café, vinho doce, cerveja preta, água de coco, vinho branco licoroso)
Flores (crisântemos branco, margaridas, lírios branco)
Comidas (arroz-doce, canjica, bolo de fubá de milho, milho cozido, doce de coco, doce de abobora, doce de cidra, coco fatiado, quindim)

Fontes:
SARACENI, Rubens / VIEIRA Lurdes de Campos – Manual doutrinário, ritualístico e comportamental umbandista, São Paulo, Ed. Madras, 2006 pg. 208
SARACENI Rubens, Rituais umbandistas: oferendas, firmezas e assentamentos, São Paulo, Ed. Madras, 2007 pg. 74
“ TEOLOGIA DE UMBANDA” – Obra de Rubens Saraceni