Reino das sombras


Reino das Sombras
Diálogo com Pai João de Aruanda

Vamos abordar o diálogo de Pai João de Aruanda no livro A Marca da Besta, diálogo este que vem nos trazendo grandes esclarecimento, desejamos a todos uma ótima leitura.

– No mundo dos encarnados, os mitos que envolvem os vampiros tiveram sua origem na Antiga Transilvânia, nas tradições da magia ou em contos germânicos. Esse tema vem seduzindo milhões de pessoas e polarizando as atenções ao redor do mundo, já desde o final do século XX, e ainda com mais força no inicio deste século, pois chegou a hora de levar um pouco mais de conhecimento à população. Assim, quando pensamos que a linguagem espiritualista ou espiritista ortodoxa poderia afugentar pessoas, ou meramente causar restrição em certos círculos, tem vindo contribuições através da literatura chamada de ficção e de outras mídias, a fim de começar a dar ciência ao maior numero possível de pessoas acerca de como se dão tais fatos nos bastidores da vida.
“Considerando o antigo mito, os vampiros seriam caracterizados por dois aspectos. O primeiro e mais comum, apresentarem-se como mortos-vivos que não podem viver à luz do dia e se alimentam do sangue humano, por toda a eternidade. A segunda versão os tem na conta de enviados do diabo ou do demônio, com objetivo mais definido do que os vampiros da categoria anterior, dos contos que ilustram os livros. No fundo, o mito não deturpa a realidade”.
“Temos observado que o primeiro tipo de vampirismo, embora de extrema complexidade, reflete a sede de vitalidade de determinados espíritos que procuram se manter por meio do roubo de seu alvo mental. Sugam-lhe as reservas energéticas e, desse modo, conseguem sentir todas as sensações que o encarnado sente, como prazer sensorial, físico, sexual e outros tipos de paixões das quais ainda não se desvencilharam. Esses são os vampiros mais comuns; em muitos casos, são tratados em reuniões de desobsessão”.
“Mas há também os vampiros especializados, como a categoria representada pelos espectros, a elite da guarda dos dragões. Esses sim, seriam comparados aqueles que às historias classificam como enviados direto do diabo. Dificilmente encontramos agrupamentos especializados em lidar com tal espécie de vampiros astrais, que detém não somente poucos espíritos da categoria dos dragões e seus prepostos sabem fazer. Esse conhecimento é tão invulgar, tão pouco difundido, mesmo entre as comunidades das trevas, que uma pequena minoria de seres do abismo é que realmente monopoliza a técnica. Aprisionado o duplo etérico por meio desse método, o corpo físico do encarnado pode sofrer a morte, e, ainda assim, a contraparte etérica não se dissolve, resistindo por dilatado período de tempo. Após essa extorsão, essa apropriação indébita e criminosa, os seres especializados assumem o duplo capturado, acoplando-se nele e moldando-o segundo sua vontade, sujeitando-o à força do pensamento gerou o processo”.

“Surge, então, outro aspecto, que não podemos ignorar. Além do roubo do corpo etérico ou vital empregando mecanismos pra lá de intricados – que não vem ao caso examinar agora -, o sujeito, o vampiro ousa apropriar-se da identidade energética do seu alvo e vitima. Os técnicos realizam aquilo que denominaram de fotografia mental antes de promover a morte da vitima, registrando em imagens as memorias arquivadas no corpo espiritual do ser, para em seguida as transferir, por processo hipnótico, ao espirito que faz a vez de vampiro. De posse dessas memorias, dos registros energéticos e emocionais de sua vitima, o ser hediondo materializa-se na Terra, entre os encarnados, uma vez que o duplo etérico é formado de puro ectoplasma. Desponta no mundo algo pouco estudado pelos espiritas, mas já ventilado por Allan Kardec: as aparições tangíveis ou agêneres. No caso referido, na são nada mais, nada menos do que vampiros, na mais exata acepção do termo e na sua mais ampla significação. É a arte de produzir aparições tangíveis aprimorada e levada às ultimas consquências, a serviço dos donos da maldade”.
Diante das palavras de pai João, que nos deixou impressionados com o alcance desse tipo mais especifico de vampirismo, eu mesmo resolvi perguntar, antes que outro guardião o fizesse:
-Então, as lendas do passado medieval, por exemplo, que falavam de espíritos incubo e súcubos – espécie de demônios que visavam ter relações sexuais com os humanos -, não estão totalmente destituídas de verdade?
-É certo, meu filho – começou o pai-velho -, que na Idade Média as motivações desses seres eram outras, pois o mundo não oferecia a eles elementos mais instigantes do que oferece hoje. Nos tempos atuais, os indivíduos que adquirem tangibilidade, são confundidos com os homens a ponto de ocuparem lugares cobiçados nos gabinetes governamentais da Terra, nas grandes corporações e instituições do mundo. Agem às escondidas, sem que meus filhos encarnados sequer suspeitem tratar-se de espíritos tangíveis, mas não encarnados; agêneres, portanto. Agem de modo diferente de como atuavam há alguns séculos, mas, mesmo assim, com o objetivo de saciar suas paixões, aplacar sua sede de poder, influenciar os grupos e líderes do mundo, uma vez que sabem que lhes resta muito pouco tempo na psicosfera terrena. Eis por que se utilizam de todo o conhecimento, de toda a engenhosidade de que são conhecedores, a fim de levar avante seus planos de domínio.
Desta vez, antes mesmo que eu formulasse outra pergunta, outro espirito se dirigiu a Pai João numa ansiedade inigualável por obter mais conhecimento sobre o fenômeno.
-Como os espíritos superiores fazem para combater este tipo de fenômeno, como a materialização direta de entidades perversas, uma vez que estes agem de forma direta, quase humana e material, e os benfeitores contam apenas com a intuição? Refiro-me ao caso de algum agênere se infiltrar, por exemplo, entre os representantes das Nações Unidas, roubando a identidade de algum diplomata, tendo, assim, enormes possibilidades diante de si.
Pai João parece ter gostado da pergunta do nosso amigo, pois esboçou um sorriso amplo e, logo em seguida, respondeu:
-Bem, meu filho, o Alto conta com diversos recursos, inclusive a condição de também promover materializações, de usar essa possibilidade que o fenômeno oferece para materializar-se temporariamente no mundo e também apresentar suas ideias aos órgãos onde convém atuar. Isso é uma possibilidade, embora não precisemos usar artifícios análogos ao roubo de duplos etéricos, é evidente. Contamos com nossos médiuns doadores dos dois lados da vida. Todavia, essa não é uma pratica corriqueira, nem do nosso lado nem do lado da oposição, muito embora na atualidade temos observado bom numero de ensaios, por parte de entidades sombrias, visando se infiltrar entre os encarnados da forma como descrevi.
“De todo modo, diversos representantes nossos estão encarnados no mundo; através deles, como instrumentos nossos, exalamos nossas ideias de progresso, respeito, fraternidade e outras que nos convêm, de acordo com a politica do Cordeiro de Deus. Mas, se for necessário, com certeza o Alto pode muito bem empregar o recurso dos agêneres, uma vez que está dentro das leis naturais, embora pouco pesquisadas pelos irmãos espiritas e espiritualistas”.
“No passado, muitos povos foram visitados por representantes do mundo oculto, materializados como agêneres, que os visitaram e conviveram com os homens sem que suspeitassem estar recebendo seres elevados, temporariamente materializados. A Bíblia é cheia de referencias a esse respeito, e o próprio apóstolo Paulo nos fala, em sua carta aos Hebreus: ”Não vos esqueçais da hospitalidade, pois por ela alguns, sem o saber, hospedaram anjos.””

Fonte: A marca da Besta – O reino das sombras – vol. III
Robson Pinheiro – Pelo espirito Ângelo Inácio
Ed. Casa dos Espiritos