Zé Pelintra, o que é?

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“Aquele médium havia chegado a pouco na corrente, chamado que foi através da dor. Estudava os primeiros passos do desenvolvimento mediúnico, sentindo-se um tanto deslocado diante dos companheiros que, com a maior desenvoltura, trabalhavam com seus guias. Seu coração, embora sofrido, irradiava amor e a seu jeito, prestava ali a caridade. Os dias passavam e naquela gira de baiano ele sentiu uma vibração forte a envolvê-lo já na abertura do trabalho. Lembrou de seu sonho na noite anterior onde se via dançando em local iluminado pela lua cheia, ao som das palmas de uma multidão vestida de branco.
Tudo corria normal, até quando foi abordado pelo dirigente do Templo, pedindo que ele se dirigisse em frente ao congá e elevasse o seu pensamento aos guias espirituais, pois havia uma entidade que precisava trabalhar ali naquela noite e o escolhera como aparelho.
Um sorriso maroto, uma alegria estampada no olhar e seus pés deslizavam numa dança compassada que lembrava um exímio mestre-sala dos carnavais cariocas. Sua maneira de saudar o congá e o dirigente foi uma reverência respeitosa, mas totalmente diferenciada dos demais espíritos que ali chegavam para trabalhar.
Com total desenvoltura a entidade conduzia seu aparelho mediúnico e naquela dança alegre, andou pelo terreiro sendo saudado pelos baianos que trabalhavam na caridade.  E auxiliou aos mesmos nas magias necessárias ao bom andamento dos atendimentos, socorreu e amparou com seriedade, sem no entanto, perder a graça de seus gestos descontraídos e a alegria de quem é feliz naquilo que faz, característica dessa corrente de trabalho do astral.
No final dos trabalhos, com a permissão do dirigente, apresentou-se à corrente mediúnica, reverenciando-os:

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Pontos de Zé Pelintra

Dim dim dim… (13x)
Pulando cruzado, no meio do terreiro chegou
Povo da Bahia, oi do Congo e da lei de Nagô
Chegou Zé Pilintra que veio do lado de lá
Fumando e bebendo e gritando “Vamos saravar!”
Saravá, ô ô, saravá

 

De terno branco, seu punhal de aço puro
Seu ponto é seguro quando vem pra trabalhar
Segura o nego, que esse nego é Zé Pilintra
Na descida do morro, ele vem trabalhar

 

Oi, Zé, quando vem de Alagoas, toma cuidado com o balanço da canoa (bis)
Oi, Zé, faça tudo o que quiser, oi Zé! Só não maltrate o coração dessa mulher (bis)

 

Saravá seu Zé Pilintra, moço do chapéu virado
Na direita ele é maneiro, na esquerda ele é pesado
Cuidado, meu camarada, não meta a mão em cumbuca
Quem mexer com Zé Pilintra vai ficar lelé da cuca

 

Rodeia, rodeia, rodeia, meu Santo Antônio, rodeia (bis)
Santo Antônio pequenino, amansador de burro bravo
Quem mexer com Zé Pilintra, tá mexendo é com o diabo

 

Tá chovendo, tá trovejando, tá relampiando, eu não posso negar (bis)
Zé Pelintra vem aí, Zé Pilintra vai chegar (bis)
Zé Pilintra, Zé Pilintra, boêmio da madrugada
Vem na linha das Almas e também na encruzilhada
O amigo Zé Pilintra, que nasceu lá no sertão
Enfrentou a boemia com seresta e violão
Hoje na lei de Umbanda acredito no Senhor
Vem benzer filhos de fé, pois tem fama de doutor
Com magia e mironga, dando forças ao terreiro
Saravá seu Zé Pilintra, o baiano mandigueiro

Pontos de Baiano

Salve o Senhor do Bonfim, valei-me São Salvador
Vamos saravar, nossa gente
Que o povo da Bahia chegou
Bahia, Bahia, terra de São Salvador
Quem nunca foi à Bahia, peço a Deus, Nosso Senhor
Ô Bahia! Ô ô ô Bahia! (bis)
Bahia que tem dendê, Bahia que tem congá (bis)

 

Bahia, ô África, vem cá nos ajudar (bis)
Força baiana, força africana, vem cá, vem cá, vem cá (bis)

 

Baiano bom, baiano bom, baiano bom é quem sabe trabalhar (bis)
Baiano bom é o que sobe no coqueiro, bebe a água do coco e deixa o coco no lugar(bis)

 

Baiano é mal que nem surucuçu, oi canga (bis)
Pisa na roda, baiano samba (bis)
Esse baiano é feiticeiro, ele é meu irmão
Esse baiano é macumbeiro, ele é meu irmão

 

Oi quando eu vim lá da Bahia eu trouxe meu patuá
Terreiro que tem mironga, baiano quer mirongar
Bahia ê ê ê, Bahia ê ê a

 

Vamos baianada dançar no catimbó
Pra amarrar os inimigos na pontinha do cipó
Se ele é baiano agora que eu quero ver
Pisa catira, come azeite de dendê
Eu quero ver os baianos da Aruanda trabalhando na Umbanda
Pra Quimbanda não vencer

 

Ê baiana, ê ê ê baiana, baianinha (bis)
Baiana boa, gosta de samba, entra na roda, e diz que é bamba (bis)
Ela toca atabaque, ela quer requebrar, ela é baianinha, ela quer trabalhar (bis)

 

Pisa baiano, pisa lá que eu piso cá
Pisa baiano, quero ver você pisar
Pisa baiano, como essa coisa é boa
Nunca vi um rei de Umbanda trabalhar sem a coroa

 

Tava na estação, auê
Quando o trem passou, auê
Cheio de baiano, auê
Pra São Salvador

 

Quando eu vim da Bahia, estrada eu não via (bis)
Em cada encruza que eu passava, uma vela eu acendia (bis)

 

Na Bahia tem, vou mandar buscar
Lampião de vidro, oi sinhá dona, para clarear

 

Bota no copo que a caneca tá furada
É que a baianada ainda não beberam nada
Ele tá bêbado por que? Ninguém mandou ele beber!

 

É lampa, é lampa, é lampa
è lampa, é Lampião
O seu nome é Virgulino, o apelido é Lampião
Lampião subiu a serra, foi parar lá na estação
Quando viu Maria Bonita, encantou seu coração

 

Me chamaram de mineiro, eu não sou mineiro não
O meu nome é Zé Baiano, mineiro é meu irmão