Em busca de milagres


Sentadinho no seu toco, afastado do médium que lhe deveria servir de instrumento encarnado, o preto velho deixava suas lágrimas rolar rosto abaixo. Observando calado, estava cansado e já esgotara seus argumentos junto aquele moço que usava o nome de seu protetor, para dar passagem à sua vaidade.

Depois de uma mediunidade reprimida por longos anos, o rapaz que já havia passado por inúmeras Casas Espíritas, achou interessante o trabalho que se fazia nos terreiros de Umbanda e resolveu assumir sua mediunidade que a tanto lhe pediam que fizesse. Entrou para o curso que a Casa oferecia, onde se pretendia educar os médiuns, discipliná-los para que se tornassem bons instrumentos. Mas na verdade, o que lhe atraía mesmo eram os rituais, as incorporações, o toque dos atabaques… Depois de trabalhar como cambone por algum tempo, seu preto velho, feliz pela aceitação do aparelho, se chegou e por alguns anos, trabalharam em perfeita harmonia auxiliando os necessitados, exercendo a caridade tão útil e necessária para ambos.

Certo dia um amigo lhe convidou para ir com ele consultar uma tal de “Cigana Flor” (*), que segundo ele, lia as mãos e também as cartas e que desvendava o futuro de qualquer pessoa. Quando recebeu o convite, quase recusou, lembrando das palavras de seu protetor preto velho que sempre aconselhava os consulentes a evitarem buscar milagres fora de si mesmos, mas a curiosidade foi mais forte e se deixou vencer por ela.
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