Adorei as Almas !!!

Ontem dia 13 de maio comemoramos a abolição da escravidão, e nada mais justo do que homenagear nossos queridos Pretos Velhos que nos enchem de amor, compreensão e a cada vinda aos terreiros nos ensina uma lição!!!
Adorei as Almas!!!!

Sou preto. Negro como a noite sem estrelas.

Sou velho. Velho como as vidas de meus irmãos.

Mas se sou ainda negro, é porque trago em mim as marcas do tempo, as marcas do Cristo. Essas marcas são as estrelas de minha alma, de minha vida.

Sou negro. Mas a brancura do linho se estampa na simplicidade do meu olhar, que tenta ver apenas o lado bonito da vida.

Sou velho, sim. Mas é na experiência da vida que se adquire a verdadeira sabedoria, aquela que vem do Alto. Sou velho. Velho no falar; velho na mensagem, velho nas tentativas de acertar.

A minha força, eu a construí na vida, na dor, no sofrimento. Não no sofrimento como alguns entendem, mas naquele decorrente das lutas, das dificuldades do caminho, da força empreendida na subida.

A força da vida se estrutura nas vivências. É à medida que construímos nossa experiência que essa força se apodera de nós, nos envolve e nós então nos saturamos dela. É a força e a coragem de ser você mesmo, do não se acovardar diante das lutas, de continuar tentando.

Sou forte.

Mas quando me deixo encher de pretensões, então eu descubro que sou fraco. Quando aprendo a sair de mim mesmo e ir em direção ao próximo, aí eu sei que me fortaleço.

Sou andarilho.

Eu sou preto, sou velho, sou humano. Sou como você, sou espírito. Sou errante, aprendiz de mim mesmo.

Na estrada da vida, aprendi que até hoje, e possivelmente para sempre, serei apenas o aprendiz da vida.

Pelas estradas da vida eu corro, eu ando.

Tudo isso para aprender que, como você, eu sou um cidadão do universo, viajor do mundo. Sou um semeador da paz.

Sou preto, sou velho, sou espírito.

Pai João de Aruanda (psicografia de Robson Pinheiro em seu livro Sabedoria de Preto Velho – ed. Casa dos Espíritos)

***

Para quem é espírito, ser preto ou branco, velho ou jovem, é tudo uma questão secundária.

Pretos Velhos – Adorei as almas!!!!


Preto-velho, no ritual de Umbanda Sagrada, é um grau manifestador de um Mistério Divino. Nem todo Preto-Velho é preto ou velho. A forma como os Pretos-Velhos incorporam, curvados, expressa a qualidade telúrica de Pai Obaluaiê. O peso que parecem carregar não é fruto do cansaço, da idade avançada ou velhice, mas é a ação da qualidade estabilizadora, terra, desse orixá.

Essas entidades manifestam-se sob a aparência de negros escravos, trazendo-nos o exemplo de humildade e simplicidade da alma. São espíritos elevadíssimos, com vasto campo de atuação, encontrados nas Sete Linhas de Umbanda, pois trabalham a Evolução nos sete sentidos da vida dos seres.

Trazem sempre palavras de Fé, de esperança, de consolo e de perseverança, com sua sabedoria, paciência, paz e serenidade.
São espíritos de velhos africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos e que trabalham na Umbanda como símbolos da fé e da humildade. Seus trabalhos são de ajuda aqueles que estão em dificuldade material ou emocional, sendo que, o seu trabalho se desenvolve mais para o lado emocional e físico, das pessoas que os procuram, sendo chamados, carinhosamente de psicólogos dos aflitos.

Sua paciência em escutar os problemas e aflições dos consulentes, fazem deles as entidades mais procuradas na Umbanda, são chamados de Vovôs e Vovós da Umbanda.
Continuar lendo

Pretos Velhos e Orixás

 

 

PRETO-VELHOS DE OGUM
São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes. São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas. São especialistas em consultas encorajadoras , ou seja, mera dose de coragem e segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

PRETO-VELHOS DE OXUM
São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível. Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado. São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mais é necessário para a evolução daquela pessoa.
Continuar lendo

Pontos Cantados de Preto Velho

Eu andava perambulando sem ter nada pra comer
Fui pedir às santas almas para vir me socorrer
As almas dá, meus irmãos, as almas dá
As almas dá pra quem sabe aproveitar
Foi as almas quem me ajudou, foi as almas quem me ajudou
Viva Deus, Nossa Senhora, e o divino salvador

 

No terreiro em Santa Cruz tem nego duro de acordar (bis)
Firma a cabeça, filharada, que preto velho quer trabalhar (bis)

 

Quando o galo canta, clareia o dia (bis)
As almas pedem uma Ave Maria (bis)
Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco
Bendita a sois vós entre as mulheres
Bendito é o fruto do Vosso ventre, salve Jesus

 

Pai Joaquim, cadê Pai Mané? Pai Mané foi na mata pra apanhar guiné (bis)
Diga a ele quando vier, oi que suba as escadas e não bata o pé (bis)

 

Minha cachimba tem mironga, oi minha cachimba tem dendê (bis)
Quem duvida da minha cachimba, oi que venha ver, que venha ver (bis)

 

Vovó não quer casca de coco no terreiro (bis)
Porque faz alembrar dos tempos do cativeiro (bis)

 

É o vento que balança as folhas, Guiné, é o vento que balança as folhas (bis)
É é é é Pai Guiné, é o vento que balança as folhas (bis)

 

Pai Joaquim tinha sete filhos, todos os sete queriam comer (bis)
A panela era pequenininha, olha o bate e rebate que eu quero ver

 

Quando Maria Conga trabalha, abaixa no terreiro (bis)
Todos os filhos ficam de ronda, quebra macumbeiro (bis)

 

Mas olha a saia da vovó, é de um babado só (bis)
A vovó tem sete netos, todos os sete quer comer
A panela tá vazia, oi Pai Ogum quem vai encher

 

Cambina mamãe ê, Cambina  mamãe à (bis)
Oi sacode essa saia que eu quero ver
Filhos de Umbanda não tem querer

 

Preto velho nunca foi à cidade, oi sinhá, fala na língua de Zambi oi sinhá (bis)
Ê lê lê oi sinhá, fala na língua de Zambi oi sinhá (bis)

 

Oi lê lê meu Deus do céu, que alegria
Pois preto velho não carrega soberbias
Meu Deus do céu, isso aqui eu preferia, a estrela d’alva no ponto do meio dia
Eu vou plantar neste quintal pé de pinheiro
Para mostrar como se quebra macumbeiro (bis)
Oi lê lê meu Deus do céu, que alegria
Pois preto velho não carrega soberbias
Meu Deus do céu, isso aqui eu preferia, a estrela d’alva no ponto do meio dia
Lá no Senado falta voto pra campanha
Nesse terreiro, galo velho não apanha (bis)

 

Navio negreiro no fundo do mar (bis)
Correntes pesadas na areia arrastar (bis)
A negra escrava se deu a chorar (bis)
Oi saravá minha mãe Iemanjá (bis)

 

Foi no tempo do cativeiro quando o senhor me batia
Eu rezava pra Nossa Senhora, ai meu Deus, como a chibata doía
Trabalhava no engenho, no açúcar no canavial
Eu era chicoteado debaixo de sol a sol
Quando eu cheguei na Bahia, a Umbanda me libertou
Até hoje eu me lembro da chibata do meu senhor
Trabalha negro, negro trabalha, trabalho negro pra não apanhar