Um Zé…

ze pilintra

Zé Pelintra, quem seria esta entidade???

Um Malandro?

Um Exu?

Um Mestre da Jurema?

Um Baiano?

Vamos encontrar varias versões e todas elas de certa forma corretas, digo isto por que entendo que esta entidade circula entre linhas, podendo atuar onde a casa determine ou necessite.
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Sou Zé Pelintra

Sou guia, sou corrente, egrégora e proteção.
Sou chapéu, sou terno, gravata e anel.
Sou sertão, sertanejo, carioca, paulista, alagoano e Brasileiro.
Sou Mestre, Malandro, Baiano, Catimbozeiro, Exu e Povo de Rua.
Sou faca, facão e navalha. Sou armada, cabeçada e rasteira.
Sou Lua cheia, sou noite clara, sou céu aberto.
Sou o suspiro dos oprimidos, sou a fé dos abandonados.
Sou o pano que cobre o mendigo, sou o mulato que sobe o morro e o Doutor que desce a favela.
Sou Umbanda, Catimbó e Candomblé. Sou porta aberta e jogo fechado.
Sou Angola e sou Regional.
Sou cachimbo, sou piteira, cigarro de palha e fumo de corda.
Sou charuto, sou tabaco, sou fumo de ponta, sou brasa nos corações dos esquecidos.
Sou jogo de rua, sou baralho, sou dado e dominó.
Sou cachetinha, sou palitinho, sou aposta rápida.
Sou truco, sou buraco e carteado.
Sou proteção ao desamparado, sou o corte da demanda e a cura da doença.
Sou a porta do terreiro, sou gira aberta e gira cantada.
Sou ladainha, sou hino, sou ponto, sou samba e dou bamba.
Sou reza forte, sou benzimento, sou passe e transporte.
Sou gingado, sou bailado, sou lenço, sou cravo vermelho e sou rosas brancas.
Sou roda, sou jogo, sou fogo. Sou descarrego, sou pólvora, sou cachaça e sou Jurema.
Sou lágrima, sou sorriso, sou alegria e esperança.
Sou amigo, parceiro e companheiro.
Sou Magia, sou Feitiço, sou Kimbanda e sou demanda.
Sou irmão, sou filho, sou pai, amante e marido.
Sou Maria Navalha, Sou Zé Pretinho, sou Tijuco Preto e sou Camisa Preta.
Sou sobrevivência, sou flexibilidade, sou jeito, oportunidade e sabedoria.
Sou escola, sou estudo sou pesquisa e poesia.
Sou o desconhecido, sou o homem de história duvidosa, mas sou a história de muitos homens.
Sou a vida a ser vivida, sou palma a ser batida, sou o verdadeiro jogo da vida:
Eu Sou Zé Pilintra!

Zé Pelintra, o que é?

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“Aquele médium havia chegado a pouco na corrente, chamado que foi através da dor. Estudava os primeiros passos do desenvolvimento mediúnico, sentindo-se um tanto deslocado diante dos companheiros que, com a maior desenvoltura, trabalhavam com seus guias. Seu coração, embora sofrido, irradiava amor e a seu jeito, prestava ali a caridade. Os dias passavam e naquela gira de baiano ele sentiu uma vibração forte a envolvê-lo já na abertura do trabalho. Lembrou de seu sonho na noite anterior onde se via dançando em local iluminado pela lua cheia, ao som das palmas de uma multidão vestida de branco.
Tudo corria normal, até quando foi abordado pelo dirigente do Templo, pedindo que ele se dirigisse em frente ao congá e elevasse o seu pensamento aos guias espirituais, pois havia uma entidade que precisava trabalhar ali naquela noite e o escolhera como aparelho.
Um sorriso maroto, uma alegria estampada no olhar e seus pés deslizavam numa dança compassada que lembrava um exímio mestre-sala dos carnavais cariocas. Sua maneira de saudar o congá e o dirigente foi uma reverência respeitosa, mas totalmente diferenciada dos demais espíritos que ali chegavam para trabalhar.
Com total desenvoltura a entidade conduzia seu aparelho mediúnico e naquela dança alegre, andou pelo terreiro sendo saudado pelos baianos que trabalhavam na caridade.  E auxiliou aos mesmos nas magias necessárias ao bom andamento dos atendimentos, socorreu e amparou com seriedade, sem no entanto, perder a graça de seus gestos descontraídos e a alegria de quem é feliz naquilo que faz, característica dessa corrente de trabalho do astral.
No final dos trabalhos, com a permissão do dirigente, apresentou-se à corrente mediúnica, reverenciando-os:

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Pontos de Zé Pelintra

Dim dim dim… (13x)
Pulando cruzado, no meio do terreiro chegou
Povo da Bahia, oi do Congo e da lei de Nagô
Chegou Zé Pilintra que veio do lado de lá
Fumando e bebendo e gritando “Vamos saravar!”
Saravá, ô ô, saravá

 

De terno branco, seu punhal de aço puro
Seu ponto é seguro quando vem pra trabalhar
Segura o nego, que esse nego é Zé Pilintra
Na descida do morro, ele vem trabalhar

 

Oi, Zé, quando vem de Alagoas, toma cuidado com o balanço da canoa (bis)
Oi, Zé, faça tudo o que quiser, oi Zé! Só não maltrate o coração dessa mulher (bis)

 

Saravá seu Zé Pilintra, moço do chapéu virado
Na direita ele é maneiro, na esquerda ele é pesado
Cuidado, meu camarada, não meta a mão em cumbuca
Quem mexer com Zé Pilintra vai ficar lelé da cuca

 

Rodeia, rodeia, rodeia, meu Santo Antônio, rodeia (bis)
Santo Antônio pequenino, amansador de burro bravo
Quem mexer com Zé Pilintra, tá mexendo é com o diabo

 

Tá chovendo, tá trovejando, tá relampiando, eu não posso negar (bis)
Zé Pelintra vem aí, Zé Pilintra vai chegar (bis)
Zé Pilintra, Zé Pilintra, boêmio da madrugada
Vem na linha das Almas e também na encruzilhada
O amigo Zé Pilintra, que nasceu lá no sertão
Enfrentou a boemia com seresta e violão
Hoje na lei de Umbanda acredito no Senhor
Vem benzer filhos de fé, pois tem fama de doutor
Com magia e mironga, dando forças ao terreiro
Saravá seu Zé Pilintra, o baiano mandigueiro