Tudo tem uma finalidade útil


Leia com atenção esse diálogo onde o Preto Velho Pai João explica a Raul, o médium desdobrado que auxilia nos trabalhos em planos inferiores, o que acontece quando há o resgate ou doutrinação de um espírito caído. Na sequência fala sobre o que acontece na vida espiritual destes seres quando reencarnam e da importância de algumas religiões neste processo. Aproveite essa boa leitura.

– Como esses espíritos em sofrimento não possuem, quase em sua totalidade, o conhecimento da vida espiritual, precisam de um tempo para meditar, fazer algumas reflexões; a seguir, devem ser conduzidos, em breve espaço de tempo, à reencarnação. Durante a próxima vida, em novo corpo físico, entrarão em contato natural com o sofrimento e a marginalidade, mas se verão também envoltos em algum conhecimento espiritual elementar. Reclamarão um tipo de alimento
espiritual básico, sem complexidade nem sofisticação, para que possam começar a ter noções de algo além do mundo material.
– Se precisam de um conhecimento tão básico assim, com certeza não estarão preparados para o ensinamento espírita ou umbandista, pois que ambos já expressam um grau maior de iniciação espiritual, não é assim? – inquiriu Raul.
– Pois é, meu filho – anuiu o pai-velho.
Precisamente por essa razão é que vemos no mundo a atuação cada vez mais intensa das chamadas igrejas pentecostais e neo-pentecostais, bem como do movimento católico carismático, os quais abordam a questão espiritual de maneira bem distinta daquela que o espiritismo apresenta. Esses nossos irmãos, com sua fé radical e grande poder de persuasão, têm prestado imenso benefício, pois tiram esses espíritos, já reencarnados, de dependências químicas e antros de perdição, como dizem. Conduzem- nos à vivência de algum princípio moral, que desperte neles conceitos elementares, a fim de elevá-los em relação à vida puramente material.

– Mas será válida a forma como trabalham com esse público?
Em suas pregações, valem-se de imagens como o inferno, a perdição eterna e o diabo, arrebatando fiéis para suas igrejas através do medo.
– Que outra linguagem tais irmãos entenderiam?
Emergem de uma situação no plano astral na qual conviveram com imenso sofrimento; eram fantoches nas mãos de espíritos marginais. Sobretudo, seu despreparo espiritual é tamanho que não compreenderiam jamais a linguagem detalhada e explícita da doutrina espírita. Reencarnam, então, em meio à marginalidade, conforme dita a própria sintonia de seus espíritos, integrando gangues ou agindo sozinhos, de conformidade com as impressões e lembranças firmemente gravadas na memória espiritual.
Habituaram-se de tal maneira às imagens mentais de sofrimento e dor do plano onde estagiaram que, uma vez na Terra, só estão aptos a dar ouvido aos apelos das pregações fortes e recheadas de elementos familiares a seu universo. O inferno do qual querem escapar, ou o diabo, por quem alimentam tanto pavor, são os obsessores e magos negros que deles se serviam antes da reencarnação atual. Decorrem desse fato o conteúdo de medo e as imagens mentais fortes que muitos ministros pentecostais e carismáticos empregam.
“Tudo tem uma finalidade útil. Muitos dos atuais pregadores que se dedicam a trabalhar nos guetos, nas favelas e nos lugares de peso vibratório são espíritos de guardiões, que já desempenhavam esse papel nas regiões do mundo oculto, antes de reencarnar.
Especializaram-se no resgate dessas almas; ao reencarnarem, em seu ministério, contam com a linguagem mais adequada a coibir os abusos que esses espíritos trazem como marca de sua conduta. Somente esse tipo de linguagem e vocabulário poderá ser capaz de conter seus instintos primitivos.”
Reencarnados, tanto os espíritos sofredores como os quiumbas ou marginais e outros semelhantes encontrarão no linguajar típico nas igrejas reformadas um eco, imagens expressas de acordo com o que viveram na erraticidade.
“Talvez vocês entrem em contato com alguma propaganda igrejeira, falando de ex-drogados, ex-ladrões, ex-prostitutas, que agora se converteram àquela determinada religião. Mesmo em contato com uma fé mais elementar, esses ex-sofredores e ex-quiumbas, agora encarnados, têm oportunidade de ouvir falar também de um paraíso cristão, de uma continuidade da vida
em alguma estância do universo. Ou seja, estão recebendo informações simples, sem complexidade, para que mais tarde possam assimilar o alimento espiritual mais elaborado das religiões espiritualistas de caráter mediúnico.”
– Meu Deus! – exclamou Raul. – Os espíritos pensam em tudo! Nunca imaginei esse aspecto da vida religiosa. Como todas as religiões têm de fato sua função com vistas a acordar as consciências dos filhos de Deus.
Leia com atenção esse diálogo onde o Preto Velho Pai João explica a Raul, o médium desdobrado que auxilia nos trabalhos em planos inferiores, o que acontece quando há o resgate ou doutrinação de um espírito caído. Na sequência fala sobre o que acontece na vida espiritual destes seres quando reencarnam e da importância de algumas religiões neste processo. Aproveite essa boa leitura.
Tudo Tem Uma Finalidade Útil

Retirado do livro “Legião” de Robson Pinheiro