UM POUCO ALEM DO VISIVEL

Por vezes o medo nos faz sentir tão pequenos, sem voz, sem ação diante da vida, o medo é capaz de calar o grito. As vezes até conseguimos descobrir na maioria das vezes, o que é preciso arriscar e deixar para trás, mas também sabemos que toda mudança exige sacrifícios, pois nada nasce sem que algo precise morrer, nada. Esta é uma das leis universais e não dos homens.

– Mas e se eu tentar mudar minha vida novamente e tudo der errado mais uma vez? Sempre foi assim. Por que mudaria agora? Talvez eu não tenha tempo para errar, melhor permanecer onde estou. Diz aquela voz insistente no subconsciente.

Todos nós já fracassamos uma vez, ou várias, e sabemos como esse sentimento é capaz de nos fazer estagnar, nos tornar paraplégicos da mente por medo de senti-lo novamente. É amargo demais e mata uma parte da senhora Esperança, ou a deixa muito enfraquecida. Quem luta pela vida e batalha duro sabe quanto custa uma derrota.

Reconhecer que falhamos em um relacionamento, assumir que não fomos comprometidos o suficiente com o nosso emprego e por isso fomos demitidos, aceitar que não fomos bons o suficiente para nossos pais ou filhos, admitir que ignoramos nossos próprios sonhos e morremos no E SE EU TIVESSE…. Passamos a morar em corpos que mais se parece com um cemitério de ambições. Esta é uma morte, não é necessário morrer para estar ‘morto’.

A vida costuma ter uma mão pesada que bate com força, ela é surpreendente linda e obscura ao mesmo tempo. Aprendi que durante nossa vida devemos estar sempre atentos para ouvir e aprender com as palavras e com os exemplos que podemos ver, tanto os bons como os ruins, saibamos absorver o máximo de aprendizado que a vida tenta nos mostrar, pois ela fala o tempo todo na linguagem das consequências.

Esses dias li um comentário em uma postagem sobre orixá e achei bem curioso: “quem é de orixá tem a vida mais difícil”. Imediatamente comecei a refletir sobre alguns pontos, reparei a quantidade absurda de igrejas evangélicas e todas as suas subdivisões em bairros menos favorecidos, sempre postas uma ao lado da outra, veja bem. Será mesmo que os problemas são os orixás?

Na cultura histórica em que vivemos não somos ensinados a conquistar e a explorar oportunidades. Somos ensinados a esperar pela sorte, pelo milagre, pelo dia em que Deus estará olhando por nós, jesus é misericordioso, orixá não. Orixá nos faz ser autores de nossa vida e arcar com todas as consequências de nossas atitudes, inclusive quando há falta delas, que não são perdoadas em um confessionário com 20 ave marias e 40 Pai Nossos, não… não é assim. Você plantou? Tem de colher!

Nem todas as pessoas tem coragem e bravura, nem todas querem ser responsáveis pelas suas vidas. Elas não querem tomar decisões difíceis, alguns preferem não sair do papel de vítima, não querem assumir as responsabilidades, não conseguem sequer reconhecer os defeitos e os tropeços, mentem para si mesmo e colocam toda sua vida na mão do sagrado invisível.

Tem quem procura respostas em Ifá por exemplo e prefere rejeitar o que lhe foi revelado, pois o caminho para vencer é longo e árduo, então é melhor desacreditar nessa baboseira toda e mudar de religião. Ninguém recebe um Odù (destino) 100% próspero, sempre haverá degraus, desafios a serem enfrentados para se alcançar a glória, mas muitas pessoas vão em busca da promessa de uma vida que não existe para ninguém. E simplesmente desistem e jogam tudo para o alto.

Vai tarde! Orixá não precisa de nós e sim ao contrário. Quem não tem bravura não está preparado para a vida. “Um bom caminho para você”

Texto enviado por Murillo Folster, integrante da corrente mediúnica do Templo de Umbanda Caboclo Ubirajara.


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