Xangô, Orixá da Justiça


Xangô e seus homens lutavam com um inimigo implacável.

Os guerreiros de Xangô, capturados pelo inimigo, eram mutilados e torturados até a morte, sem piedade ou compaixão.

As atrocidades já não tinham limites.

O inimigo mandava entregar a Xangô seus homens aos pedaços.

Xangô estava desesperado e enfurecido.

Xangô subiu no alto de uma pedreira perto do acampamento e dali consultou Orunmilá sobre o que fazer.

Xangô pediu ajuda a Orunmilá.

Xangô estava irado e começou a bater nas pedras com o oxé, bater com seu machado duplo.

O machado arrancava das pedras faíscas, que acendiam no ar famintas línguas de fogo, que devoravam os soldados inimigos.

A guerra perdida foi se transformando em vitória.

Xangô ganhou a guerra.

Os chefes inimigos que haviam ordenado o massacre dos soldados de Xangô foram dizimados por um raio que Xangô disparou no auge da fúria.

Mas os soldados inimigos que sobreviveram foram poupados por Xangô.

A partir daí, o senso de justiça de Xangô foi admirado e cantado por todos.

Através dos séculos, os orixás e os homens têm recorrido a Xangô para resolver todo tipo de pendência, julgar as discordâncias e administrar justiça.

“Mitologia dos Orixás” de Reginaldo Prandi